Antinom. A lenda da resenha.
A resenha era tóxica até para os padrões do Twitter. O Antinom atravessou aquela fase e chegou até aqui.
A resenha acabou. Ele ficou.
Se você usava o Twitter na época da resenha, provavelmente já esbarrou nesse nome. Antinom veio de um dos cantos mais insuportáveis daquela rede. E isso não é força de expressão.
A resenha não era só um grupo de amigos fazendo meme. Era um monte de conta com humor negro pesadíssimo, provocação o dia inteiro, piada com qualquer tragédia e uma competição silenciosa para ver quem conseguia ultrapassar mais limites. Era um ambiente tóxico mesmo. Tinha dia em que a timeline parecia um concurso para descobrir quem tinha menos filtro e mais tempo livre.
E a coisa não ficava só nas piadas. Naquele meio também surgiram relatos de doxxing, com dados pessoais de terceiros sendo expostos no meio das tretas. Isso é bem diferente de postar uma piada ofensiva. Mexer na privacidade de alguém não vira humor só porque o sujeito coloca um “kkkk” no fim. Esse é o contexto da resenha, não uma acusação de que o Antinom tenha feito isso.
O grupo foi se desfazendo. Contas caíram, outras sumiram, apareceram polêmicas e relatos de problemas na Justiça. A do Antinom continuou de pé. Sorte? Instinto de sobrevivência? Ou ele sabia exatamente a hora de calar a boca e deixar a confusão passar? Vai saber. Enquanto um monte de gente evaporou da rede, ele ficou com o perfil e uma base de mais de 16 mil seguidores.
De sobrevivente da resenha a funcionário do algoritmo.
E é aí que a história fica boa. Hoje o perfil está em outra fase. A antiga disposição de arrumar treta deu lugar a post comum, assunto do dia e aquele conteúdo que faz o número subir sem precisar começar uma guerra nos comentários. O sujeito saiu do Twitter mais tóxico possível para a gloriosa profissão de postar qualquer coisa que renda engajamento.
Depois de tanta barbaridade na timeline, agora o Antinom aproveita os seguidores que conseguiu e parece bem mais interessado em manter a conta viva. É quase uma redenção pelo algoritmo. O homem que atravessou a resenha descobriu que é mais produtivo monetizar postagem genérica do que correr o risco de desaparecer da internet por causa de uma piada péssima.
Não precisa transformar essa história em saga de herói, porque não foi. A resenha tinha muita coisa indefensável e o próprio grupo ajudou a cavar a fama que tinha. Só que também existe uma diferença enorme entre achar alguém um idiota, detestar o humor dele e defender que o governo possa punir qualquer opinião ofensiva. No Brasil, essas coisas vivem sendo jogadas no mesmo saco.
Uma piada de mau gosto merece resposta, crítica, bloqueio ou desprezo. Ameaça real e exposição de dados de terceiros são outra coisa. Defender liberdade de expressão não exige bater palma para tudo o que alguém posta. Exige justamente saber a diferença.
Não gostar de uma piada não é motivo para entregar a internet ao Estado.
Você pode achar o humor da resenha uma porcaria. Pode falar isso na cara de quem postou, bloquear e seguir a vida. O que não dá é usar toda piada ofensiva como desculpa para ampliar censura. E doxxing não é piada nem opinião. É exposição da vida privada de outra pessoa.
Valeu, Antinom.
No meio dessa história toda, ainda teve um plot twist. O Antinom viu a proposta do Partido Libertário Brasileiro e respondeu: “Gostei da ideia”. Foram três palavras. Nada de textão, nada de discurso ensaiado.
É esse apoio que está registrado aqui. Não significa que ele assinou cada proposta do partido, nem que o PLB concorde com tudo que circulou na antiga resenha. Ele gostou da ideia. A gente agradece.
Se sobrou mais alguém daquela época que quer defender liberdade de expressão sem dar passe livre para ameaçar ou expor a vida dos outros, as portas estão abertas. E não precisa fingir que a resenha era um lugar maravilhoso. Não era.
Valeu pelo apoio, Antinom. Pode continuar com os tweets genéricos. Pelo menos dessa vez um deles serviu para alguma coisa.
A resenha continua aqui.
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